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Aconteceu dos dias 12 a 15 de novembro 2007 no Rio de Janeiro o segundo forum sobre Governança na Internet , com a participação de cerca 1.500 pessoas de todo o mundo.
Essa foi a segunda edição do evento que vem tratando de uma série de problemáticas ligadas ao mundo da Internet. Foi um espaço de troca de idéias, experiências, conceitos e sem dúvida de promoção de propostas das mais inusitadas e importantes.
Várias foram as personalidades nacionais e internacionais, como o sr. Sérgio Rezende, o sr. Gilberto Gil, ministro da cultura, sr. Mangabeira Unger, ministro para assuntos estratégicos, sr. Alexandre Cardozo, secretário de ciência e tecnologia do estado do Rio de Janeiro, sr. Nitin Desai, secretário geral para governança na Internet na ONU, Sr. Markus Kummer, secretário executivo do IGF, Sra. Lynn St. Amour, presidente e CEO da ISOC (Internet Society), sr. Guy Sebban, Secretário Geral do International Chamber of Commerce (ICC), Sra. Anriette Esterhuysen, diretora executiva da Association for Progressive Communications (APC), sr. Vint Cerf, primeiro diretor executivo da ISOC, e tantas outras autoridades e participantes.
Essa edição do fórum tratou sobretudo de 5 pontos:
- SECURITIY: por meio de conferências e workshops, discutiu-se muito a questão da segurança na rede. Foram analisados casos de sucesso e "best-practices" e se falou da importância de investir na segurança da rede, começando pela prevensão. Muitos países foram citados como exemplo nesse sentido, como a Estonia, que possui 95% da sua sociedade conectada à rede. Comentou-se das questões legais e como os crimes cibernéticos deveriam ser tratados de modo igualitário aos crimes "reais".
- ACCESS: nesse sentido, falou-se muito e longamente sobre a problemática do acesso à internet. Existem em muitas regiões pelo mundo o problema da falta de acesso, normalmente devido a problemáticas ligadas aos recursos críticos. Mas falou-se também da falta de interesse das empresas privadas e dos governos em investir nesse sentido. Discutiu-se como é importante o trabalho "multistakeholder", ou trabalho de colaboração entre as várias partes, para resolver esse tipo de problema.
- DIVERSITY: a diversidade é um dos principais elementos na rede, dada a sua globalidade. Nesse sentido, questiona-se ainda se a rede está realmente pronta a dispor de conteúdos locais para todas as regiões do mundo e nas mais variadas línguas. Falou-se também naqueles que são excluídos, como as pessoas com algum tipo de deficiência. Outra problemática discutida e ainda não esclarecida é a questão dos domínios de primeiro nível e a relação com o IPv4 e IPv6. Sugere-se, nesse sentido, que sempre mais as pessoas comecem a solicitar a migração para o IPv6 de modo que nos próximos 3 anos, quando o IPv4 estará saturado, a rede esteja pronta para a real migração.
- OPENNESS: outro assunto exaustivamente discutido foi a abertura. Se fala muito da questão do equilibrio entre os dois IP's: Internet Protocol e Intelectual Property. Também se fala que os direitos humanos devem ser trabalhados na prática, indo muito além da retórica atual. Nesse sentido, alguém comentava sobre a preocupação de que os direitos humanos possam se perder no amplo contexto do IGF. Se falou muito também de liberdade de expressão e as questões relacionadas.
- CRITICAL RESOURCES: esse foi um elemento novo com relação ao primeiro IGF em Atenas. Como muitos são os recursos críticos que impossibilitam a manutenção e o crescimento da rede, falou-se de problemáticas em geral, mesmo se cada país vive realidades diferentes. Foram citadas a falta energia e de pessoal técnico preparado, falta de infra-estrutura de modo geral, problemas críticos de segurança, a falta de projeto no modelo dos negócios aplicados pelas empresas e governos, os altos custos de acesso, mudanças de IPv4 para IPv6, etc.
Pessoalmente, alguns pontos que foram interessantes durante o IGF são: - crescem as dynamic coalitions, que são grupos criados a partir de instituições que trabalham pelo mesmo objetivo. Frutuosos workshops foram realizados por esses grupos, e propostas concretas continuam a ser geradas. - alguém comentou que a principal lição que se leva dessa edição do IGF é que os problemas estão se tornando de todos e não mais motivo de brigas. - comentou-se muito da necessidade de diminuição dos custos da rede em todos os sentidos e da necessidade de uma maior interação entre os setores privados, governamentais e aqueles ligados ao terceiro setor. - uma possível problemática pouco considerada pelo IGF foi a demanda, ou seja, os efeitivos usuários da rede. Possivelmente será necessário reconsiderar como melhorar a educação ao uso da rede por toda a sociedade. - muito importante a utilização da tecnologia para propor o crescimento do mundo em todos os sentidos, pensando também à valores como a paz e os direitos humanos. - é necessária uma atenção maior ao anonimato na rede. É difícil identificar, hoje, em qual conteúdo se pode confiar, sobretudo aqueles anônimos.
Mas a questão principal, ao meu ver, é o fato de que o mundo espera muito do IGF e, por isso, tudo o que está sendo visto e vivido por esses atores será de suma importância para o futuro da rede. E a presença dos jovens nesse meio é um sinal importante e de garantia para o futuro. |