“Estamos correndo atrás constantemente. Mas o que ninguém sabe é correndo atrás de quê”. Essa frase, de Sigmunt Bauman e publicada por Risoletta Miranda em http://idgnow.uol.com.br/internet/weblogia/idgcoluna.2009-05-01.2862072003/, no mínimo me fez pensar.
Nesse artigo a autora fala dos nativos digitais. Tenho a impressão que eu me inquadro nessa categoria, mesmo se a minha infância foi “real” e talvez a última da era sem computadores.
Comecei a ter acesso aos computador (entenda-se os primeiros XT’s que apareceram no Brasil… aqueles com telas verdes, etc) com 10 anos de idade. Nunca fui um amador dos jogos de videogame ou mesmo de computadores (preferia mesmo a minha bicicleta!
). Porém, com o passar do tempo percebo que me tornei um personagem dessa era dos nativos.
Sim, estou cheio de informações. Sim, busco sempre mais estar por dentro daquilo que acontece no mundo. Sim, ainda não me acostumei a questionar, na grande parte das vezes, sobre qual ponto de vista as notícias que estou consumindo foram escritas.
E, o mais “sério” de tudo, eu acho, é que grande parte do que eu consumo é inútil e trata da vulnerabilidade da vida de pessoas que são expostas à uma imprensa que vive reclamando sua liberdade de expressão e divulga/pensa/escreve somente aquilo que os patrocinadores pagam.
Ora, o que está errado? Seria eu? Seria a imprensa? Seria a sociedade? Seria o fato que não sabemos mais pensar?
Não sei… Sei, contudo, que faço parte dessa geração que está com a sala suja. E, ao invés de perder tempo limpando-a, acho que o melhor caminho seja trocar de sala e começar a prepara-la para receber as visitas que deverão vir visitar-me nos próximos anos.
Ainda acho que o melhor caminho não é criticar o que de ruim existe por aí: na minha opinião, o melhor mesmo é criar novas alternativas para demonstrar que existes, sim, modos de mostrar o mundo numa ótima positiva, tão real quanto aquela que vemos hoje.
Realmente concordo que manipular a informação de uma forma velada por causa do patrocinador é incorreto. Mas e se isso for claro? E se os consumidores da informação realmente souberem que quem está enviando a mensagem é um patrocinador? Todo mundo conta a sua versão para os fatos. Allém do mais, se for claro para o espectador que a mensagem é parcial, isso faz com que ele busque outras fontes para obter a informação completa.
Grande El Volo,
. Até hoje o único jogo que tenho instalado no meu notebook é xadrez (e mesmo assim 2D).
teu texto levanta vários pontos interessantes para debate e toca temas realmente muito diferentes um do outro, muitos até que têm que ver apenas indiretamente com TI. Vou tratar destes. (Vê-se que a cada dia fujo mais do assunto hehe)
Eu tenho um perfil parecido com o teu, e até mais tradicional, pois tive uma infância longe de coisas eletrônicas. Nunca tive vídeo game. Meus amigos iam jogar futebol no fliperama. Eu ia pra quadra na frente de casa (embora não tenha surtido muito efeito
Andando um pouco mais no tempo, veio o gosto pelos livros e pela literatura em geral e, mesmo no auge do curso de Ciência da Computação, eu continuava levando Dom Quixote pra faculdade.
Enfim, devo admitir que tenho “algum cisma” com essa área!
Apesar disso, e aqui vem o ponto, eu sou um apaixonado defensor dela enquanto mídia de informação. É uma coisa que temos que tomar como um valor absoluto, eu penso. Não podemos nunca reclamar que há informação “demais”. Devemos reclamar, isso sim, quando há de menos (ou quando não há, como, infelizmente, ainda ocorre em alguns regimes pré-cambrianos).
Ainda nesse quesito, uma boa discussão é o papel que a publicidade tem.
Eu também faço cara feia pra ela, mas tenho que admitir que sem ela não há liberdade de informação (ou, pelo menos, a prejudica bastante). Não é que a imprensa fala só do que é do interesse dos anunciantes (ok, ok, isso pode ocorrer também, eventualmente). O fato é que ela pode falar do que fala só porque os anunciantes a financiam, e não precisam, assim, depender do governo (que é o maior anunciante de todos). Assim, um jornal pode meter o pau no governo de plantão sem ter que fechar as portas porque os anúncios da Petrobra$ foram sumariamente cancelados.
Já em relação à sala suja, só pra vc não dizer que estou concordando em TUDO contigo hoje, eu acho que funciona no campo individual, se é que funciona. Ela não deixa de ser uma forma de “arrependimento” nosso pela forma de sociedade politicamente livre que construímos e esse corpo caótico de informação que temos circulando. Mas penso que a liberdade gera caos. Ordem existe na Coréia do Norte. Mas ok, faço uma concessão. Essa reflexão que a Rigoletta mencionou é muito desejável tb (inclusive para gerar mais informação – o que vamos fazer com ela é outro problema).
Já no campo social, na prática, não há como “mudar de sala”. Tem que limpar mesmo, seja lá o que isso signifique.
É isso. Desculpa aí pelo caos. É que vc me deu liberdade, aí…